Contexto

Guerra Fria: o mundo dividido

Terminada a Segunda Guerra, os Estados Unidos e a União Soviética brigam pela liderança mundial. E o clima esquenta

Às 8h15 do dia 6 de agosto de 1945, o bombardeiro B-29 americano Enola Gay lançou sobre a cidade de Hiroshima, no sul do Japão, a primeira bomba atômica da história. Em poucos segundos, o “Little Boy” (Garotinho), como os americanos chamavam a carga explosiva, formou um cogumelo de fumaça de 18 quilômetros de altura e matou 78 mil pessoas. Três dias depois veio o golpe de misericórdia: uma nova bomba atômica, dessa vez sobre a cidade de Nagasaki, matou mais 70 mil pessoas. Atordoado, o Japão rendeu-se incondicionalmente. Era o fim da Segunda Guerra Mundial e o início de uma nova era: a Guerra Fria.

Dias antes desses ataques, durante a conferência de Potsdam, na Alemanha, o presidente americano, Harry Truman, havia confidenciado ao líder soviético, Josef Stalin, que os Estados Unidos tinham desenvolvido uma arma com poder de destruição jamais visto. Truman, na verdade, pretendia intimidar os soviéticos, que avançavam com apetite por todo o Leste europeu. Mas o serviço soviético de espionagem já vinha informando Stalin sobre o esforço americano para desenvolver a bomba atômica. Tanto que os soviéticos também tinham iniciado seu próprio projeto nuclear – e, menos de quatro anos depois de Hiroshima, realizariam com sucesso seu primeiro teste de explosão de uma bomba atômica.

Nos anos seguintes, os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que emergiram da guerra, envolveram-se numa corrida armamentista, espalhando exércitos e armas em seus territórios e nos países aliados. O mundo ficou literalmente dividido em dois blocos: o capitalista e o socialista. Durante quase meio século, americanos e soviéticos travariam intensa disputa em todos os setores – ideológico, tecnológico, econômico, esportivo, cultural –, mas, em função do equilíbrio de forças no campo militar, evitaram um confronto direto. Daí, a expressão “Guerra Fria”. Um conflito armado poderia significar o fim dos dois países e, possivelmente, da vida no planeta. Era a chamada “paz armada” ou “equilíbrio do terror”. Embora não tenham partido para a guerra declarada, as duas potências chegaram muito perto disso, como durante a crise dos mísseis de 1962, e alimentaram conflitos em outros países, como na Coréia e no Vietnã. A guerra era fria, mas, em alguns momentos, o mundo quase entrou em ebulição.

 

Nos tempos da Guerra Fria

Os principais fatos em quase meio século de rivalidade entre americanos e soviéticos

1945

Maio: a Alemanha nazista rende-se aos aliados

Agosto: os EUA lançam bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki, no Japão

1949

Março: formação da Otan

Agosto: a União Soviética explode a primeira bomba atômica.

Outubro: divisão da Alemanha

1950

Junho: início da Guerra da Coréia (o conflito se estenderia até 1953)

1955

Maio: países do bloco soviético assinam o Pacto de Varsóvia

1957

Outubro: a União Soviética lança no espaço o satélite Sputnik 1

1961

Abril: invasão da Baía dos Porcos, em Cuba

Agosto: início da construção do muro de Berlim

1962

Setembro-novembro: crise dos mísseis de Cuba

1963

Agosto: Estados Unidos intervêm no Vietnã (o tratado de paz seria assinado em 1973)

1979

Dezembro: a União Soviética invade o Afeganistão (só deixaria o país dez anos depois)

1986

Fevereiro: Gorbatchev anuncia seu programa de reformas políticas (Glasnost) e econômicas (Perestroika)

1989

Novembro: queda do muro de Berlim, na Alemanha (o país seria reunificado no ano seguinte)

1991

Dezembro: Gorbatchev renuncia; fim da União Soviética

 

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